sexta-feira, 18 de julho de 2014

Resenha de Chumbo Pinheiro *



Escritor de uma imensurável capacidade criativa é como tem se revelado o poeta, contista e romancista Marcos Medeiros. Ele tem nos presenteado com uma produção reveladora não só da sua capacidade criativa, mas também, com textos sempre envolventes. Sua obra não é apenas uma busca experimental, é na verdade um caminhar seguro pelos gêneros literários por onde se arrisca a trilhar. Este fato é notório bastando para isso o leitor conhecer um pouco da  sua produção que já soma mais de dez livros como o excelente “Guriatãs e  Muçambes”, “Trinta Contas de um Rosário” entre outros.  Uma de suas últimas produções (já tem coisa mais nova no mercado literário) o romance AFLIÇÕES DE UM SONHADOR, o autor traz uma narrativa curta, com uma linguagem simples sem ser prosaica, leve, juvenil e empolgante.
A trama que é narrada tem um fio condutor bem definido e segue uma sequencia lógica dos fatos, mas ao mesmo tempo apresenta certa imprevisibilidade. Aponta diversos fatores psicológicos e sociológicos nos quais não se aprofunda, deixando ao leitor as possibilidades de refletir sobre os acontecimentos que se sucedem.
A personagem central é vitima e herói. Isto marca sua trajetória desde o momento em que abandonado pela mãe no lixo é encontrado por um morador de rua. E como são muitos hoje nas grandes cidades. Entregue a uma instituição que cuida de crianças abandonadas, dois anos depois, o pequeno é adotado por uma família que não tem filhos. O menino passa a ter uma família com a qual aprende as lições de maior valor: o carinho, a atenção, a honestidade, a sinceridade, a responsabilidade, o respeito e tanto outros valores que parecem esquecidos na sociedade.
As lições da família forjaram o jovem adolescente que conhecendo dos próprios pais a sua verdadeira origem, não o fizeram se sentir diminuído, ao contrário, fizeram-no amadurecer mais cedo como se estivesse sempre preparado para enfrentar situações difíceis. As aflições do jovem Felisberto, personagem central do romance são as mesmas que nos permeiam nas nossas relações humanas na família, na escola, no trabalho, na rua ou aonde quer ou com quem quer que seja.

Desta forma, o jovem Felisberto, vive suas mais intensas aflições. A primeira a morte dos pais; A segunda a traição do homem no qual depositava mais confiança e da “adolescente” com a qual sonhara compartilhar os melhores momentos de sua vida naquela fase tão difícil. O homem e a jovem tramavam contra o rapaz visando obter apenas lucros.  Entre as aflições e lições, prevaleceram, as lições que vieram dos pais, unidas a inquietude e curiosidade peculiar dos jovens. Felisberto descobre a trama na qual estava sendo envolvido e reverte o quadro. Ajudado por um amigo do seu falecido pai, desmantela a quadrilha que pretendia aplicar-lhe o conto do vigário. Como tudo isso acontece?  Cabe ao leitor descobrir com a leitura deste bom livro de Marcos Medeiros.




*  Luís Pereira da Silva que assina com o pseudônimo de Chumbo Pinheiro, é servidor público, nascido em Natal. Graduado em História pela UFRN, atualmente, cursa Ciências Sociais na mesma instituição. Como poeta publicou o livro A Tua Mão (2001) e participou da terceira antologia da SPVA (2003), coautor do livro Nei Leandro de Castro - 50 Anos de Atividades Literárias. É colaborador do blog 101 livros do RN. Em agosto irá lançar a obra "Alguns livros Potiguares" com resenhas sobre livros de autores locais.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Resenha de Chumbo Pinheiro *

A poesia de Anchieta Rolim



Entre imagens e versos (alguns perversos consigo mesmo e com o leitor), “Poeta? Não/Eu não sou poeta/Sou o inverso...” “O seu caso não tem solução/Tens a mente bloqueada”, a poesia nos assombra, nos invade, leva-nos a refletir. Os traços retos e os contornos das imagens nos ferem o espírito e a cada interrogação joga-nos diante da realidade cruel e das agruras do cotidiano, a cada afirmação um impacto de verdade, desejo e talvez mesmo receio e tremor diante de um gesto ousado e carinhoso sob a ‘MESA” onde “Ao lado/Dois talheres/Entre pernas/Quatro mãos” anuncia que já arde o fogo da taça bebida e labaredas de desejos não se contém.
O poder visual das imagens penetrar na alma e espírito.  Poemas que se completam com os versos que de tão afiados, quanto às pontas dos ângulos dos desenhos, perfuram a brancura do papel e transportam o leitor para uma  infinita busca, caça de si mesmo, na agitação do mundo cotidiano como no poema assim mesmo intitulado onde “O sangue escorre/O canto é triste”... Para o poeta e para o leitor já não há sonhos “Só os pesadelos/Acordam-me do medo/Do que amanhã serei”. Em um amanhã incerto, mais onde não faltará o canto dos poetas, pois “Era preciso que/o canto não cessasse/nunca./ Não pelo/canto/(canto que os/homens ouvem) mas/ porque cantando o galo/é sem morte.” (As peras, Ferreira Gullar, A luta corporal.), e como diz J. Medeiros: “enfim, um canto a sanidade e à loucura de nossos dias, do dia -D- do poeta que grita contra as injustiças sociais, “a pleno pulmões”.”.
O poeta Anchieta Rolim é inquietude do ser, do homem contemporâneo que vive no caos, a espera e a procura dentro de uma luta corporal, numa contagem regressiva para soltar o grito de João, denunciando o desvalor da vida “na maternidade/Estava faltando doutor”./Sem dinheiro/ Sua reclamação/Não tinha valor./ Ao final do dia/Nem Maria, nem menina, nem menino/Só João chorando seu destino”, e a vida banida na fila do hospital, no asfalto, nos becos e nas calçadas onde a morte espera a canção última da contagem finda.


*  Luís Pereira da Silva que assina com o pseudônimo de Chumbo Pinheiro, é servidor público, nascido em Natal. Graduado em História pela UFRN, atualmente, cursa Ciências Sociais na mesma instituição. Como poeta publicou o livro A Tua Mão (2001) e participou da terceira antologia da SPVA (2003), coautor do livro Nei Leandro de Castro - 50 Anos de Atividades Literárias. É colaborador do blog 101 livros do RN. Em agosto irá lançar a obra "Alguns livros Potiguares" com resenhas sobre livros de autores locais.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vem aí, mais um super lançamento

O maior encontro de escritores do Rio Grande do Norte.
Impressões Digitais Vol. II (40 escritores potiguares).
Dia 05 de agosto, terça feira, na Academia Norte-rio-grandense de Letras (a partir das 18 horas).