quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entrevista com Marcos Silva.



Por Thiago Gonzaga


1.      Marcos Silva você nasceu em Natal, no bairro do Alecrim, fale-nos um pouco da sua infância e juventude?

Lembro de trilhos abandonados, vestígios de bondes que não mais circulavam, ruas de areia, animais transitando livremente (inclusive, cavalos e vacas), criançada jogando futebol – eu era péssimo na área -, meu grande apreço por revistas e, depois, livros. Havia a feira, movimento de gente e materiais, odores e cores. Eu comecei a entender que morava num bairro de pobres só no começo da adolescência. Meu pai tinha grande respeito pela cultura, matriculou-nos (eu e minha irmã) em escolas particulares que considerava melhores, pagava com sacrifício, eu estudei na Aliança Francesa, comprava livros. O Alecrim, junto com o mundo meio rural, tinha dois cinemas, fui muito aos dois com minha mãe e minha irmã. Comecei a me aventurar mais na Cidade Alta e em Petrópolis a partir de uns 12 anos, passei a estudar no Sete de Setembro, depois fiz colegial no Atheneu, frequentava o Cine-Clube Tirol e a Livraria Universitária. Achava a pobreza desconfortável (falta de dinheiro para comprar coisas) mas nunca escondi de ninguém minha condição social. E guardava algum rancor em relação a meus amigos de classe média, sentimento que superei apenas quando virei classe média e notei que não era nada demais.

2.      Quais foram suas leituras literárias? Qual o livro que você leu, quando criança, que mais te marcou?

Comecei a ler quadrinhos, havia adaptações de obras literárias para aquela linguagem, descobri “Guerra e paz”, “Os miseráveis” e “Os sertões” por aquela via. Antes de conhecer os originais desses livros, li “Germinal”, que me impressionou muito. Depois, comecei a ler os russos, Graciliano Ramos, Machado de Assis, José Lins do Rego. Tudo meio sem ordem cronológica mas com pique. Não entendi um monte de coisas, pressenti que estava mexendo com um mundo importante para todos. Li Augusto dos Anjos e Rimbaud quando ainda moleque, com uns 14 anos, estranhava e me sentia fascinado. No Cine-Clube, conheci materiais bons sobre Chaplin e Buñuel, depois li Jean-Claude Bernardet, que me impressionou muito na época. Não li Monteiro Lobato na infância, entrei em contato com sua literatura para crianças quando já estava quase ficando adulto e gostei muito, até hoje considero “A chave do tamanho” uma obra prima.

3.      Com que idade você compôs os seus primeiros escritos? E abordavam que temas?

Acho que por volta de 14 anos, versos que perdi, temas amorosos imaginários; depois, tentei comentar romances, pinturas. Com uns 16 ou 17 anos, escrevi um comentário mais articulado sobre “Suor”, de Jorge Amado, mostrei para uma professora de Português do Atheneu, que gostou do que fiz. Perdi o texto. Lembro que eu valorizava especialmente a temática social, a literatura ajudando a entender a sociedade.

4.      Você chegou a frequentar as chamadas “Cocadas” em Natal, quem eram os seus amigos nessa época?

Lécio Arruda, que morava perto de mim, havia muita gente do Cine-Clube. Eu admirava o pessoal do PCB (seus argumentos contra a ditadura, as análises da sociedade capitalista) mas não sentia vontade de militar como eles, tinha a impressão de que eles me achavam alienadão (eu não me achava), eu não tinha aquela disciplina partidária. No Cine-Clube, havia um pessoal católico legal, com preocupações sociais, lembro do Gilberto Stabili. Os caras das “Cocadas” eram críticos em relação à ditadura, ainda muito preconceituosos em relação ao cotidiano. Houve um momento em que parei de ir às “Cocadas”, entendi que não era mais meu lugar, havia temas e provocações que não me diziam respeito.

5.      Marcos relate-nos um pouco de como e por qual motivo se deu a sua ida para São Paulo e seu ingresso como aluno na USP?

Fui procurar trabalho, eu precisava me sustentar, meus pais se separaram e eu pensava que tinha que me manter por conta própria. Trabalhei em escritório e banco, empregos humildes, fiz vestibular para História na USP. Eu queria estudar Artes Visuais mas o Curso era no período diurno (impossível para quem trabalhava como eu) e exigia investimento pesado em materiais de trabalho. Fiz Artes Visuais depois de meu doutorado em História, adorei fazer mas avaliei que não valeria a pena mostrar publicamente minha produção, que preservo como recordação pessoal. Comecei a lecionar História para adolescentes. Depois do mestrado, entrei na UNESP (Assis) e, em seguida, na USP como docente.

6.      O que levou a escolha do curso? Como foi seu período na Universidade?

Eu gostava muito de História da Arte, optei por História, aumentei meu gosto pela História como um todo. Fiz graduação num período medonho da ditadura (1972/1976), sumiço e assassinato de pessoas, horror, muito medo. Ao mesmo tempo, havia muita energia crítica no ar, grupos de estudo e leitura. Li mais coisas de Lucien Goldmann (que conhecia pouco quando morava em Natal), gostei muito de sua sensibilidade para literatura a partir do Marxismo, seu conceito de consciência possível, o diálogo com Psicologia piagetiana e Estruturalismo. Mas também apreciava autores de outras linhas teóricas, como o durkheimiano Pierre Francastel. Eu descobri Caio Prado Jr. antes da graduação, li mais coisas dele e de seus contemporâneos, os clássicos Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Hollanda, o então novo Fernando Novais. Tinha lido pouco de Câmara Cascudo até então (gostava muito do ensaio sobre o fruto do pecado original), retomei mais sistematicamente a leitura desse autor depois de graduado.


7.      Como você se tornou Professor Titular em Metodologia da História na USP?

Minha carreira foi muito lenta, se pensarmos no ritmo atual das carreiras universitárias: mestrado em 1982, doutorado em 1987, livre-docência em 1999, Titular em 2007. Não me arrependo desse ritmo, ocupei meu tempo escrevendo coisas que me interessavam e orientando pesquisas. Avalio que publiquei um volume razoável de textos, sem encher lingüiça. Penso que isso contribuiu para arriscar o concurso. Metodologia da História é a área em que ingressei na USP no primeiro concurso para contratação, discute diferentes campos teóricos e técnicos, ajudou-me muito a pesquisar o que mais gosto em História: Cultura Visual (Caricaturas, Cinema), Literatura, sensibilidades.

8.      Quando você estreia em livro na literatura? Você participou de algum movimento cultural/literário na época de estudante?

Estreei em livro, individualmente, em 1982, “Contra a chibata – Marinheiros brasileiros em 1910”. Antes, publiquei uns poucos artigos. Será que o que eu mencionei agora era literatura mesmo? Havia o gosto de escrever, a busca da palavra bonita mas também exata para o conteúdo histórico. Escrevi quase sempre História. Queria que houvesse sabor textual, sim, mas será que era Literatura? Sim, faço letras de músicas desde os 17 anos, muita gente acha que não é Literatura. Traduzo uns poemas, especialmente da língua francesa. Enfim, o que é mesmo Literatura? Penso, como Barthes, que é o prazer do texto, o saber com sabor. Ofereço prazer e sabor?

9.      Fale-nos um pouco do seu primeiro livro “Prazer e poder do Amigo da Onça” (Paz e Terra, 1989)?

Esse foi meu segundo livro individual, versão modificada de meu doutorado. Eu admirava muito o personagem desde a infância, meu pai o acompanhava nas páginas da revista “O Cruzeiro”. Meu mestrado abordou o personagem Zé Povo, sofrido representante caricatural do povo, que aparecia sempre como vítima da política. Quando esbocei meu projeto de doutorado, pensei que O Amigo da Onça era o avesso de Zé Povo – aquele personagem era um vencedor permanente nas batalhas da sobrevivência. Procurei estudar seus significados no Brasil de 1943/1961. Explorei traços de estilo de Péricles Maranhão e o cotidiano do período.

10.  Você já escreveu e organizou quantos livros até a data atual?

Escrevi seis livros individuais (Contra a chibata - Marinheiros brasileiros em 1910; Prazer e poder do Amigo da Onça; Caricata República - Zé Povo e o Brasil; História - O Prazer em Ensino e Pesquisa; Câmara Cascudo, Dona Nazaré de Souza & Cia; Rimbaud etc. – História e Poesia) e um livro em parceria (Ensinar História no século XXI – Em busca do tempo entendido).  Organizei quatorze coletâneas (epensando a História;  República em migalhas - História Regional e Local; História em Quadro-Negro; Nelson Werneck Sodré na Historiografia Brasileira; Dicionário Crítico Câmara Cascudo; Brasil, 1964/1968: A ditadura já era ditadura; Clarões da tela – O cinema dentro de nós; São Paulo – Espaço e História; Dicionário Crítico Nelson Werneck Sodré; Cenas brasileiras – O cinema em perspectiva multidisciplinar; Metamorfoses das linguagens (Histórias, Cinemas, Literaturas); Ver a História – O Ensino vai aos filmes;  Câmara Cascudo e os saberes; Viva Luiz Damasceno!

11.  Relate-nos um pouco sobre a sua obra “Guerras do Alecrim”. Como surgiu à ideia inicial para a criação do livro? Do que ele trata?

Escrevi alguns artigos para o “Diário de Natal”, abordando temas potiguares. Além deles, realizei uma entrevista com Dona Nazaré Souza, antiga dançarina de Pastoris e Lapinhas, operária infantil e passadeira de roupa. Também editei uma entrevista ainda inédita de Newton Navarro, concedida em São Paulo, quando ele fez uma exposição ali. E a arguição de uma dissertação de mestrado defendida na UFRN sobre tema potiguar. Comento artistas plásticos, escritores, personalidades de Natal. Tem um lado proustiano, desdobramento de minha experiência anterior com o “Dicionário crítico Câmara Cascudo”.

12.  Fale-nos um pouco de como nasceu seu amor pelas Artes Visuais, pelo canto (música popular), e pelo cinema?

Artes Visuais foi paixão de menino, que cultivei como pude – amor nem sempre correspondido, mas vale o amor. Eu via reproduções de pinturas em revistas e livros. Comecei a desenhar, tentar pintar. Participei de algumas exposições. Considero que foi muito importante para minha formação. Não atribuo maior importância no que produzi para a coletividade, aconselho a verem Paul Klee e Ione Saldanha mesmo. Em canto, ocorria algo parecido, tive uma cultura de música popular radiofônica, acompanhei o grande momento musical que reagiu ao início da ditadura, as primeiras canções de Chico Buarque, o nascimento do Tropicalismo e do Clube da Esquina. O Cinema foi grande alfabetizador para mim, minha graduação na área se deu no Cine-Clube Tirol, que exibia filmes excelentes e ainda promovia debates muito bons sobre eles. Esses três campos de linguagem foram minhas universidades antes da Universidade, até hoje gosto muito deles.

13.  Marcos Silva o que você lê na atualidade? Quais são os seus escritores favoritos?

Releio muita coisa, sintoma da idade: Rimbaud, Euclides da Cunha, Cruz e Souza, Cecília Meireles, Lima Barreto. Tem um povo que foi considerado vanguarda nos anos 60 e 70 do século passado e que me agrada muito: Wladimir Dias Pino, Moacy Cirne. Tem a molecada do Substantivo Plural, tanto os mais consolidados estilisticamente quanto os que estão se fazendo agora e me atraem nesse fazer.



14.  Qual o seu escritor preferido dentro da literatura potiguar?

Sanderson Negreiros. Mas gosto muito também de Moacy, Zila, Cascudo, Dailor. E tem as figuras de Luís Carlos Guimarães, sedutor na tradição que dominava tão bem, Newton Navarro e Berilo Wanderley, excelentes cronistas. Newton é fascinante como intelectual pleno, animador cultural, artista múltiplo.

15.  Em sua opinião que falta para o escritor potiguar romper com os muros provincianos?

Se for pra falar genericamente, os muros foram rompidos ao menos desde Cascudo e Jorge Fernandes (precedidos por Auta de Souza, que foi prefaciada por Olavo Bilac, e Nysia Floresta, tão desnorteante), passando por Zila (que considero potiguar) e Moacy. Mas a batalha continua. Acho legal publicar no RN e também fora do estado. Em tempos de internet, a necessidade de editar em papel mudou pouco, livro ainda é suporte poderoso.

16.  Para você qual o melhor momento para escrever?

No momento em que dá tesão pra escrever. Sinceramente: independe da vontade, acontece. No elevador, no metrô, dirigindo o carro, fazendo amor... Acho bom não deixar para amanhã o que pode fazer hoje. Por outro lado, escrita é trabalho, retomada, coragem pra mudar (e até abandonar) o que foi começado.

17.  E seu interesse pela obra de Câmara Cascudo? Como foi a experiência de organizar a obra “Dicionário Crítico Câmara Cascudo”?
Li o ensaio sobre o fruto do pecado original e a Antologia do Folclore brasileiro quando ainda morava em Natal. O ensaio me impressionou muito. A antologia nem tanto – eu não entendia direito a importância daquela genealogia. Enquanto morava em Natal, a figura de Cascudo me intrigava porque misturava o ousado apoiador de Jorge Fernandes e colaborador de Mario de Andrade (ângulos que Moacy Cirne sempre valorizou) ao homem que convivia cordialmente com a ditadura dos anos 60. Continuo lastimando esse convívio mas entendi que ele não se confundia com as grandes conquistas de “Vaqueiros e cantadores” ou “Literatura oral”. O dicionário foi uma espécie de auto-reinvenção potiguar, para mim. Li ou reli textos de Cascudo, convidei pessoas que não conhecia diretamente, teve gente que não aceitou o convite, outros ficaram entusiasmados. Como noutras coletâneas que organizei, preferi misturar gente muito experiente com pesquisadores iniciantes, uns temperam os outros. Gostei do resultado final. Imodestamente, penso que o dicionário contribuiu para uma rediscussão nacional de Cascudo.

18.  Marcos Silva você reside há muitos anos em São Paulo, e os laços com a sua cidade de nascimento, continuam fortes? Você vem sempre a Natal?

Venho todo ano a Natal, tenho parentes e amigos aqui. Natal é útero e colo, teta e teto. Às vezes, fantasio que aposentarei e voltarei para cá, abrirei um restaurante com música ao vivo, passearei na praia toda manhã. Sonhar não ofende. Tenho amigos muito queridos em Natal: minha irmã Sonia, Claudio e Mailde, Luiz e Ivonilde, o povo do Substantivo Plural (adoção recíproca, incluídas as rusgas). Mas reconheço que meu amor é infiel, também gosto muito do caos paulistano, restaurantes e museus, outros amigos, meu trabalho. Acho que estou condenado à dupla territorialidade e à bigamia na relação com cidades.

19.  Do que sente falta no mundo da literatura?

De maior diversidade social na escrita e na leitura. Quase sempre, fica um circuito fechado de classe média ou alta. Pobre pensa e pode pensar muito bem mas suas escritas repercutem pouco e nem sempre ele tem acesso a leituras menos conhecidas.

20.  Passados alguns anos desde o lançamento do seu primeiro livro, como você o enxerga hoje? Mudaria alguma coisa, faria alguma alteração?

Gosto de meu livrinho sobre a Revolta da chibata. Hoje, seria totalmente outro porque o mundo vai mudando e espero acompanhá-lo e mesmo participar dessa sua transformação. Hoje, eu exploraria mais a Literatura de Lima Barreto, que não trata diretamente do assunto mas fala muito sobre negros brasileiros depois da Abolição.

21.  Em qual vertente literária mais se realiza escrevendo?

É difícil responder a isso, sou chegado a vários gêneros. Talvez o ensaio curto seja o que mais me satisfaz. Mas gosto de fazer poemetos. E tem os livros um pouco maiores que escrevo lentamente – o livro sobre Rimbaud, união de ensaios, demorou uns dez anos pra se completar.

22.  Você recentemente homenageou Luiz Damasceno, (da Livraria Universitária) em uma obra, como conheceu ele e como surgiu a ideia do tributo ?

Fomos contemporâneos no Cine-Clube Tirol, eu frequentava a Livraria Universitária, aprendi com Luiz a identificar livros de interesse, ele me emprestou livros, apresentou-me autores. Gosto muito de Luiz, mais que irmão. Admiro sua mistura de sagacidade e rabugice. A ideia da homenagem foi esboçada por Ivonilde, mulher de Luiz, Arlindo Freyre e João da Mata, amigos dele. Ivonilde me convidou para organizar o livro, topei de imediato porque considerei mais que justa a homenagem. Luiz é o máximo, toda homenagem a ele é pouca.

23.  Você tem acompanhando a produção literária contemporânea potiguar, algum novo nome desperta sua atenção?

Tem muita gente boa. Prefiro não destacar nomes. Quero realçar a importância de manter acesa a chama do pensamento inventivo, não se conformar com o consumo do que vende no Brasil e no mundo, tentar sempre, enfrentando a falta de dinheiro (é muito difícil vender livros). Aprendi a valorizar mais o fazer que o produto final. Em minha idade, aprecio a multiplicidade de gêneros, o diálogo entre novidades e tradições. Mas respeito a molecada que se encanta com suas novidades. No mundo onde vivemos, é muito importante manter acesa a chama da palavra (da imagem, do som, do corpo) reflexiva/o. O mercado gigantesco, ainda mais ampliado pelas redes de computadores, oferece a ilusão de que encontramos tudo pronto pra consumo. Considero isso péssimo. Precisamos continuar a fazer. Quanto mais poetas (músicos, cineastas, atores), melhor.

24.  Você é autor do projeto e coautor do texto final do “Atlas Histórico do Rio Grande do Norte”, relate-nos um pouco desse trabalho ?

A primeira ideia partiu de Afonso Laurentino, do Diário de Natal. Contei com a participação de meu ex-orientando Airton Cavenaghi, grande conhecedor de cartografia histórica. Procuramos fazer um material com qualidade interpretativa e acessível a pessoas de diferentes faixas etárias e diferentes interesses culturais. Não foi fácil. Acho que demos conta do recado. O material ficou muito bonito graficamente (Airton foi o grande responsável pelas imagens cartográficas). Soube que o volume circulou entre alunos de diferentes níveis escolares. Uma preocupação nossa foi pensar o local sempre articulado ao mundo. Espero que tenhamos atingido esse objetivo.

25.  Você fez Mestrado e Doutorado em que área? E seu Pós-Doutorado?

Sempre trabalhei no campo da História Social. Mestrado, Doutorado e Livre-Docência abordaram caricaturas e humor visual (Zé Povo, Amigo da Onça e Frandim, respectivamente). Fiz um pós-doutorado em Paris (Université Paris III) dedicado ao Muralismo mexicano. Tive o privilégio de pesquisar o que mais me atraía na vida cultural.

26.  Marcos Silva, numa perspectiva histórica, quais seriam, em sua opinião, os grandes nomes potiguares?

Câmara Cascudo, Newton Navarro, Djalma Maranhão, Moacir de Góes, Moacy Cirne, Mailde Pinto Galvão. E mais o homem e a mulher comuns que sustentam esse estado com seu trabalho cotidiano.

27.  E quais os seus planos literários para o futuro?

Gostaria de escrever mais sobre História e Literatura. Quero continuar a escrever poemetos. Será que ousarei reuni-los num livreco?

28.  Há alguma diferença do professor Marcos Silva para o Escritor Marcos Silva?

O conselheiro Acácio responderia que o professor professa e o escritor escreve. Espero que o conteúdo não mude. Acho que sou mais informal quando falo do que quando escrevo.

29.  Marcos Silva por Marcos Silva?

Boa gente, rabugento, carinhoso, explosivo, persistente, dispersivo, fiel aos amigos, deveria ter amado mais – mas ainda resta o resto da vida.

domingo, 5 de maio de 2013

Entrevista da semana.




Entrevista com o escritor Edílson Pinto.
Por Thiago Gonzaga.

1-    Edilson Pinto, fale-nos um pouco da sua infância, onde nasceu, e como foram seus primeiros anos de vida?

R – Nasci em Mossoró. Poucas coisas me lembram dessa época. Minha casa, na Avenida Alberto Maranhão; a minha primeira Experiência de Quase Morte (EQM) quando Mickey, um cachorro bem grande que um dia correu atrás de mim; minha segunda EQM: meu engasgo com um caroço de pitomba (nunca mais tive coragem de colocá-lo na boca)... Nossa! Parece que Nelson Rodrigues tem razão ao dizer: “O que é a memória senão um pátio de milagres? Um pátio de agonias, e de gemidos, e lágrimas de pedra?”...

2-    Quais foram suas primeiras leituras?

R – Na minha casa não existia muitos brinquedos, mas livros... Ah! Isso existia e muito! Lembro-me de Saint-Exupéry. Mas, o que eu devorava mesmo eram os livros de Agatha Christie, com o seu fiel, irônico e perspicaz detetive Poirot... Isso ajudou e muito na medicina, pois o médico é ou não um detetive? Pelo menos deveria ser. Hoje, tudo mudou! Entregamos esse papel para as máquinas. É mais fácil uma tomografia detectar algo, do que nós ficarmos “perdendo tempo” com essas “bobagens” de anamnese, exame físico... E assim, estamos matando a medicina: “vivam as máquinas! Coitados dos homens!”...

3-    Com que idade começou a redigir seus primeiros textos, e você escrevia sobre o que?

R – Comecei tarde! Nos meus “Morangos”, conto como tudo começou. Apesar de ler muito, nunca tinha me arriscado a escrever uma linha sequer. Até que em um plantão no Hosp. Clóvis Sarinho, eu presenciei uma briga, pois faltavam lençóis para cobrir as camas do quarto de repouso dos médicos. Neste dia, nem consegui dormir. Percebi que tínhamos, realmente, chegado ao fundo do poço... No dia seguinte desmarquei todos os meus compromissos, sentei em frente ao teclado e comecei a escrever o meu primeiro artigo “Medicina no fundo do poço: o preço da desunião”. Enviei para os jornais da capital e para alguns colegas. Esse artigo foi publicado no boletim do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e percorreu o país por email. Até eu recebi o artigo enviado por pessoas que eu nem conhecia... Estava iniciada a “maldição”... Sim! Clarice Lispector afirmava que escrever é uma maldição, por que vicia! Mas, ela acrescentava: “É uma maldição que salva. Pois escrever é procurar entender, é reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permanecia apenas vago e sufocador...”. E hoje, é através da escrita que também consigo respirar...

4-    E seu primeiro contato com a literatura potiguar, como aconteceu?

R – Foi com a magistral “Auta de Sousa”. Minha mãe, também escritora, fez um ensaio, sobre ela, que teve o prefácio escrito por Dr. Américo de Oliveira Costa. Quando foi lançado este trabalho, li todos os poemas e senti algo estranho. Muito estranho! Parecia que eles tinham sido feitos para mim... Identifiquei-me bastante com todos eles. O “Horto” é leitura obrigatória.

5-    Você se graduou em Medicina pela UFRN, teve alguma motivação especial, para escolha do curso?

R – As inspirações para a escolha foram a morte e a doença. Perdi meu pai com três meses de idade. Aí pensei, vou ser médico para matar a morte... Doce ilusão! A vida - não sei quem disse: “é uma doença crônico degenerativa, que nos leva à morte”. Então, é inútil tentar vencê-la... A não ser pelo AMOR. Sim! Também teve a doença: vivia todo mês no otorrino. Tinha a cada 15 dias, crises de amigdalites que me deixavam acamado. Prometi a mim mesmo que iria ser otorrino para arrancar todas as amígdalas dos recém-nascidos. Ainda bem que não sou bom cumpridor de promessas...

6-    Como era o Edilson Pinto aluno, nos tempos da faculdade?

R- Como todos os alunos daquela época e como os de hoje. Afinal, como diz a sabedoria eclesiástica: “Não há nada de novo debaixo do sol”. Era cheio de espinhas, branco (quase uma vela), gordo, sedentário, sonolento... Enfim, um zumbi ambulante. Infelizmente, é assim que o curso médico trata o seu aluno. Enche-nos, enche-nos, enche-nos de conhecimento, na maioria desnecessários, que nunca servirão para nada. Nada mesmo! E com muitas, muitas provas, que não medem a capacidade se o sujeito será ou não um bom profissional. Essas provas só medem a nossa capacidade de decorar. Medicina, vamos aprender mesmos é na escola da vida, e como dizia Nietsche: pela dor e pelo amor!

7-    Na universidade, já mantinha essa proximidade na sua vida da literatura com a medicina?

R- Impossível. Aí daquele que se atrever a ler um livro não médico na faculdade. Tendo prova como Bactrim, de 12 em 12 horas?! Impossível! Nessa época, larguei tudo. Shakespeare, Nietsche, Agatha Christie, etc. etc saíram de cena e entraram nos seus lugares: Cecil (Tratado de medicina interna), Sabiston (Tratado de cirurgia), Guyton (Tratado de fisiologia)... e o homem, onde fica nisso tudo? Pedro Nava, médico reumatologista, dizia que o médico deveria aprender medicina também nos livros Proust, Flaubert, etc. etc.; nos poetas de ontem e de hoje...

8-    Seu primeiro livro foi Morangos do Abismo, publicado em 2006, fale-nos um pouco desse seu trabalho de estreia?

R – Depois que me viciei em escrever não parei mais. Caía uma pinça no chão do centro cirúrgico, isso era motivo para escrever; alguém chegava atrasado ao plantão: “Olha outro artigo aí gente”! E assim, quando vi, já existiam vários “filhos”. Então, resolvi juntar todos. Contei com a ajuda fundamental do amigo Pablo Capistrano, e o resultado foi um lançamento totalmente inesperado. Uma noite inesquecível!

9-    Você ficou satisfeito com o resultado do livro?  Mudaria alguma coisa nele hoje?

R – Não mudaria nada! Um livro é um filho. E filho, pode até ter defeitos, mas nós devemos amá-lo assim mesmo...

10- Morangos Do Abismo, além de ter um projeto gráfico muito bonito, tem um titulo bastante poético, é você quem escolhe esses “detalhes” em seus livros?

R- Interessante é que a capa era algo que me deixava receoso. E exatamente o que eu imaginei, foi o que Brito (uma benção, que conheci através de David Leite) conseguiu fazer. Aqueles morangos de pedra ficaram com um gosto excelente! Quando pensei no meu segundo livro, procurei logo Brito e não que o danado fez do jeito que eu imaginava. E olha que eu não dizia nada, só o título do livro. Ele pedia um tempo e enviava o projeto... Clauder Arcanjo diz que essas capas são divinas. Também concordo com ele. Se tiver um terceiro livro: Brito na cabeça, ou melhor, na cara, na capa...

11- Seu segundo livro, Perdoa-me Por Me Prenderes! Foi publicado em 2008, é um livro de contos, algum pretexto especial por essa vertente literária? Você sempre escreveu contos?

R – Eu não entendo nada de estilo literário. Lembre-se que sou mesmo é um profissional de corte e costura... Sou um cirurgião oncológico. E como cirurgião oncológico, o que eu quero mesmo, quando escrevo, é brincar. Não tive uma infância muito fácil. Assim, hoje, brinco de escrever. Aí um dia, brinco de esconde-esconde; outro dia, brinco de atirei-o-pau-no-gato... e assim, vou indo. Buffon dizia que o estilo é o homem. Então, eu escrevo o que dar na minha cabeça. Não me preocupo com tamanho, forma, cor, assunto... Escrevo e publico.

12-  Como construiu essa obra? Gostou do resultado final do Perdoa-me Por Me Prenderes?

R – Geralmente, eu começo um texto através de uma frase, de uma citação. Adoro roubar frases... Isso me fez até receber um título, que guardo com muito carinho: o ladrão de citações! Até já pensei em entrar para a política... Mas, a minha mãe, mesmo morando em Brasília, já me avisou: “Se roubar outra coisa que não seja frases, vai levar uma surra!”. E aí, um homem barbado, com 46 anos, apanhando da mãe... Nem pensar! Mas, fiz todo esse preâmbulo, para contar uma coisa. Já que estamos falando do livro do “Perdoa-me”: quando terminei todos os contos. Senti falta das citações. Aí pensei: “e agora, vou perder o meu título de ladrão?”. De jeito nenhum: peguei os livros de Nelson Rodrigues e o mais interessante é que existiam citações para todos os contos. Nelson é um gênio, que o brasileiro ainda não deu o devido valor que ele merece... Aliás, o brasileiro valoriza quem? Samba, pagode, futebol, político corrupto... Então, é melhor deixar o Nelson Rodrigues fora dessa lista mesmo... Sim! Gostei demais do meu segundo filho...

13- Tendo publicado um livro de crônicas e outro de contos, você tem preferencia por algum, e por qual motivo?

R – A minha preferência por escrever, ou melhor, por brincar depende do momento. Se tiver escuro, é melhor brincar de esconde-esconde e aí os contos são excelentes esconderijos... mas, se tiver, um dia lindo, com um bom lugar pra ler um livro, aí vamos brincar de bilocas: aí, as crônicas se encaixam bem... A brincadeira é quem dita o ritmo. E como a gente não cansa de brincar... Podemos até jogar WAR (batalha), e quem sabe: um romance não aparece a partir desta brincadeira...

14- Nos seus textos é visível a intertextualidade, não apenas com assuntos do cotidiano, mas também com grandes clássicos da literatura universal, de onde vem essa influencia? Edilson Pinto inspira-se em alguém quando escreve?

R – Inspiro-me no ladrão que há dentro de mim. Sou um usurpador nato de frases alheias. Então, feito o roubo - e que não é pequeno, pois roubar pouco neste país é um demérito muito grande-, fica fácil: é só cortar e costurar todas essas frases... Isso para um cirurgião oncológico, que lida com a morte fungando o seu pescoço diariamente, é batata... E haja pontos, esparadrapos e curativos!

15- Como e quando você constrói seus textos?

R – O texto fica sendo gerado, no útero, quer dizer: na minha cabeça. Na hora do banho é o meu momento de máxima inspiração. Depois, quando estou indo para o trabalho. Escuto o rádio. Então, surge mais um roubo, mais uma frase. Corto e reservo. Deixo-a guardada. Aí, chego ao trabalho, começa o dia-a-dia, roubo mais citações. Mais uma vez uso a tesoura. No fim, o texto está todo retalhado na minha cabeça e é só sentar no computador e fazer todas as suturas. Quando sento para escrever, pode acreditar, não levo mais do que 30 minutos, para terminar o texto. Afinal, ele já estava no meio de cultura há tempo. E lembre-se que numa cirurgia, o tempo de anestesia influencia e muito no resultado. Então, temos que ser rápido.

16-  E como é o Edilson Pinto Professor, alguma diferença para o escritor?

R – Não há como separá-los! Escrevendo, “cortando e costurando”, ensinando: sou assim mesmo! E o professor é o meu personagem que eu mais gosto...

17- Você fez Mestrado e Doutorado em que área? Foram experiências positivas, influenciaram sua escrita de alguma forma?

R – De jeito nenhum. Mestrado e doutorado quase mataram “o ladrão de citações”. Você passa vários anos de sua vida, dentro de um laboratório, analisando se uma bactéria, no interior do intestino do rato é capaz de passar para a corrente sanguínea e causar infecção. Aí depois, de testes estatísticos, etc. etc. você vai enfrentar uma banca, que muitas vezes nem sabe nada do que você estar pesquisando e precisa aparecer como os “pavões”... E haja abobrinhas! Criticas e mais críticas sem fundamentos e depois você é aprovado. E lhe dão um título: DOUTOR/ MESTRE... Lucas, meu filho, quando tinha seis anos, após a defesa do meu doutorado, na UFPE, disse: “E daí, pai, você ser um doutor, você nem sabe falar japonês?!”. Lucas sabe que existem títulos muito mais importantes. Ser humano, educado, responsável ético, honesto... Esses são títulos que devemos cultivar ao longo da vida. Prefiro até o ladrão de citações. Então, você deve me perguntar: “é foi fazer mestrado e doutorado por quê?”, respondo: ou você entrar na regra do jogo da universidade, ou você vai ter que sair de cena. E eu adoro ensinar. Fiz e até incentivo os meus ex-alunos a fazerem, mas faço um alerta: “Cuidado! Lembrem-se do alerta de Lucas: vocês não sabem falar japonês!”.

18-  E o mercado literário potiguar, como você enxerga? Em sua opinião o que falta para os bons escritores potiguares saltarem os muros provincianos?

R – O que falta para os nossos escritores da terra? Nada! Temos excelentes escritores: Auta de Sousa, Américo de Oliveira Costa, Pablo Capistrano, François Silvestre, Tarcísio Gurgel, Paulo de Tarso Correia de Melo, Iaperí Araújo, Dorian Gray Caldas, Vicente Serejo, Nei Leandro de Castro e tantos outros, deixam a desejar de quem? O danado é que Cristo tem sempre razão: “Ninguém é profeta em seu país, nem médico em sua casa...”.

19- Edilson Pinto prefere ser Professor, Médico ou Escritor?

R – Professor! Nasci para ensinar. Adoro estar dentro de uma sala de aula. Sendo professor, na verdade, estou sendo os outros dois também, pois quando ensino, sou médico (curo a pior doença do corpo que é a ignorância da alma) e sou também escritor (estou escrevendo a minha história, na vida de outras pessoas também. Muitos desses alunos, eu sei, nunca esquecerão os momentos que vivemos dentro da sala de aula).

20- Tarcísio Gurgel disse que seus textos têm forte compromisso com a humanidade. Esse compromisso é influencia da literatura ou da medicina?

R – Os dois influenciam! A medicina e a literatura andam nas mesmas trilhas, nas mesmas estradas... Dor, morte, sofrimento, doença, tristeza, alegrias, angústias, felicidades, etc. etc. são os alimentos desse irmão siameses...

21- Pablo Capistrano, diz também que seu texto é doce e amargo. Edilson Pinto escreve pra quem? Algum publico especifico?

R – Escrevo para mim, por considerar-me o meu leitor mais fiel. No entanto, não me rotule como um egoísta, um egocêntrico, um ególatra, pois escrevendo para mim, estarei escrevendo para todos. Para explicar isso, cito Orhan Pamuk, prêmio Nobel de literatura, no seu belo livro “A maleta de meu pai”: “Para mim, ser escritor é reconhecer as feridas secretas que carregamos; tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura. O escritor fala de coisas que todos sabem, mas não sabem que sabem... Se ele usa suas feridas secretas como ponto de partida, consciente disso ou não, está depositando uma grande fé na humanidade. Minha confiança vem da convicção de que todos os seres humanos são parecidos, que os outros carregam feridas como as minhas.”. É muito bom ser um ladrão de citações, não é mesmo?

22- Na atualidade, algum escritor potiguar desperta sua atenção?

R – Pablo Capistrano e os Jovens Escribas. Gosto muito do que eles escrevem.

23- Edilson Pinto, de médico e escritor, todo mundo tem um pouco?

R- Sim!  E de louco também. Aliás, “Louco é aquele que perdeu tudo, menos a razão!”. Ah! E por favor, não vá me prender até o final desta entrevista, por ter roubado tantas frases... Acho que vou escrever o próximo livro e já tenho um título: “Perdoa-me por eu ter roubado pouco...!”. Hum! Isso poderia até ser roteiro de um filme: “Edilson Pinto e o Mensalão!”...

24- Parece haver nos seus textos uma preocupação com o ser humano, é influencia da medicina na sua vida? O Dr. Edilson Pinto, se sente realizado com profissão que escolheu?

R – Agradeço e muito a Deus por ter me feito assim, um tanto quanto masoquista... Sim! Aliar saúde e educação, como profissão, em um País que não valoriza em anda as duas funções: só gostando de sofrer e muito... Mas, se pudesse viver a minha vida novamente, faria tudo de novo. Quem não enfrentar a dor, nunca, jamais, poderá passar do Bojador, não é mesmo?

25- Você, além de Médico, é Professor, como concilia seu trabalho com a sua dedicação a literatura?

R- É fácil, fácil. Enquanto um estar dormindo, o outro estar trabalhando... Assim, essas funções se completam. Elas, como já disse, são irmãos siameses, são da mesma origem, são inseparáveis.

26- Você consegue levar um pouco da arte literária para sala de aula?

R – Sim! Parece loucura (“Louco é aquele que perdeu tudo, menos a razão!”), mas é a pura verdade. Sou professor também de uma disciplina de medicina, arte e espiritualidade (MAE), na UFRN e na UnP. Lemos livros de literatura; assistimos a filmes; recitamos poesias, rimos, choramos... Tudo dentro de uma sala de aula. E fazemos isso só para lembrar que os nossos corações não são de gelo e nem de pedra, mas sim de carne, com bastante sangue e por incrível que pareça, iremos tratar de pessoas que também tem sentimentos, por terem corações de carne, com bastante sangue dentro... 

27- Como ficou sabendo que seu livro Morangos do Abismo, foi adotado pelo Curso de Pós Graduação em Literatura Potiguar, na UFRN? Foi uma boa surpresa?

R – Nossa! Não sei o que esses alunos aprontaram para merecerem um castigo tão grande! Mas, o fato é que eu também desconfio e muito que a professora Edna Rangel está sofrendo de doença de Chagas, pois o coração dela é muito grande, generoso demais comigo e eu só tenho que agradecê-la. Fiquei surpreso e feliz.

28- Quais os planos literários para o futuro, algum livro novo?

R – Meus planos passam por roubar mais e mais frases. Brincar bastante. E quem sabe parir outros filhos. Gostaria de escrever uma autobiografia.

29- Quem é o escritor Edilson Pinto?

R – Eu ainda não sei. Sou apenas um caçador de mim mesmo... E se você me descobrir, antes: por favor, me avise! Gostaria e muito de me conhecer...