segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Livro gratuito.


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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dica de livro. *




A diversidade da literatura potiguar nos últimos anos vem surpreendendo a todos que fazem parte da comunidade literária do Estado. Não é exagero dizer que semanalmente um novo nome surge na cidade do Natal, que, se anteriormente tinha fama de ser terra só de poetas, nesse início de século XXI, tem se quebrado esse mito, com um dilúvio de produções em prosa, seja na área do conto, seja da crônica, de memórias, novelas, ou romance.  De certa forma isso é positivo para a nossa cultura livresca, além do fenômeno no mínimo curioso não deixar de ser uma tarefa árdua para os pesquisadores que, no futuro, terão bastante trabalho em catalogar e analisar essa produção atual, que, querendo ou não, é importante, inclusive para demonstrar a sintonia das nossas letras com as do restante do país.
Chamou nossa atenção, esses dias, a obra “Transeunte no Tempo” do escritor Francisco Leopoldo da Silveira. A principio, achamos que seria apenas mais um livro na nossa vasta seara, mas, simpaticamente a obra nos despertou o interesse, por dois fatores: primeiro, o autor tem noventa anos de idade e é estreante  no meio literário; segundo, o livro é de memórias, com uma prosa muito agradável. Se algum leitor mais desinformado não se achar à vontade desconhecer a vida do autor, com certeza, encontrará na obra subsídios para adentrar, um pouco, no contexto em ele viveu, nesses anos  todos de estrada.
A obra foi publicada pela Editora Sarau das Letras  em 2014, e traz relatos que enfocam o nascimento de Francisco em uma pequena cidade do interior cearense, as dificuldades que passou, a vida estudantil, até sua vinda para o Rio Grande do Norte  afim de assumir o primeiro emprego na Estrada de Ferro de Mossoró.
Essa autobiografia também demonstra conhecimento e erudição, citando fatos, nomes e livros que fizeram parte da trajetória  do autor até hoje. Um dos capítulos mais bonitos intitula-se, “Livros, alegria de viver,” onde o autor declara todo o seu amor pelos livros e cita escritores famosos, seus preferidos, como Gore Vidal e  J.D. Salinger.
No entanto, o capítulo que mais nos tocou é aquele em que o autor relata os aprendizados da vida, nesses mais de noventa anos, seus sonhos, suas alegrias, as motivações que o ser humano busca. Uma passagem de teor filosófico com uma mensagem muito linda sobre a arte do viver.

“Transeunte no Tempo” é um livro interessante e que vale a pena ler.


*Thiago Gonzaga é pesquisador, especialista em literatura potiguar pela UFRN.

Livro do mês.*



Surpreendeu-me positivamente a leitura da obra “Cancioneiro da Terra” do escritor Antonio Fabiano. Acredito que é um dos melhores livros de poemas publicados nesses últimos anos em terras potiguares. Nos poemas, o autor demonstra sensibilidade e muita inspiração aliada à composição e ao trabalho com a arte das palavras.
A poesia de Antonio Fabiano tem gosto de chão, tem apelo, sentimento telúrico. De anseio e cuidado pela arte poética. Em “Alma Poti” o poeta canta a sua missão; em “Encanto”, surpreende-se com as maravilhas da natureza; “Alma de Vaqueiro”, ele canta a solidão e o sofrimento do vaqueiro. Detalhe: na grande maioria, os poemas, foram feitos em uma forma clássica, ou seja, o soneto.
Todavia, variando as formas, Antonio Fabiano expressa suas ideias, emoções e inquietações, constituindo um rico acervo poético. E consegue interagir com outras pessoas, pela linguagem que utiliza.
O seu trabalho está recheado de plurissignificações; os poemas carregam em sua essência sensações e valores do eu lírico, e o significado de tudo vai sendo construído de modo a provocar - despertar o leitor. Sua preocupação com a feitura dos poemas, com a organização do texto, evidencia a função poética da linguagem, e deixa clara a intenção estética do trabalho.
O jovem poeta começa sua trajetória literária com bastante eficiência e muito valor.


*Thiago Gonzaga é pesquisador, especialista em literatura potiguar pela UFRN.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Artigo


UM OLHAR DE PÁSSARO
Por Chumbo Pinheiro*

       A arte da escrita tem se apresentado com vigor e brilho no solo literário potiguar. Vemos surgir novos poetas, contistas, cronistas que enriquecem com seus talentos a produção literária norte-rio-grandense. Vão se afirmando e ocupando seus espaços no cenário da literatura; livros, revistas, jornais divulgam a nossa criatividade; editoras locais e nacionais, sites e outras mídias eletrônicas postam e publicam nossos autores.
      Escritores que cantam as nossas belezas, nossos sentimentos e transformam as agruras do dia a dia em palavras que aliviam com sua serenidade e força a luta pela vida. Fazem com seu olhar uma leitura para além da superficialidade com a qual observamos os fatos. Extraem do que parece corriqueiro e banal ou do inusitado, a essência mais sublime dando-lhes um significado e um sentido que muitos de nós na maioria das vezes somos incapazes de perceber.
        Entre os gêneros literários que parecem realizar com maior perspicácia esta leitura dos fatos cotidianos e transformá-los compreensivelmente mais amenos e até mesmo agradáveis e explicativos está a crônica. Neste sentido, temos aprendido muito com os mestres desde Machado de Assis, passando por Rubem Braga e Fernando Sabino. E como não lembrarmo-nos de Dorian Jorge Freire, Berilo Wanderley, Sanderson Negreiros, Vicente Serejo, dentre outros. Soma-se a estes nomes Clauder Arcanjo, potiguar de coração, com o seu livro Uma Garça no Asfalto. Segundo, Nicodemos Sena, que escreveu para a orelha do livro “O título... remete ao tema das “coisas fora do lugar”. E ao absurdo que está na base de toda boa literatura...”. E é assim Clauder Arcanjo, que a partir de um olhar para o voo majestoso de uma garça aguça ainda mais o seu olhar de pássaro e que tendo nas veias lápis voa mesmo sem asas, com as pontas dos dedos.
         Com seu estilo esmerado eleva as figuras humanas e as coisas mais simples. Tiramos daí lições e exemplos do amor filial e materno como em Tributo à mãe desconhecida, Mãe com fome; Percebe a honra do trabalho na altivez do vendedor de cocadas, Cocada com açúcar, lição e afeto; a nobreza do engraxate, O lorde da graxa; a grandeza humana na solidariedade e compreensão da empregada doméstica, Helena.
        Clauder em seus voos dialoga com Bandeira, Machado, Drummond; com os escritores do seu tempo, Manoel Onofre Junior, David de Medeiros Leite, Antonio Francisco; com poetas e pessoas anônimas que nos ensinam o valor e a beleza de um aceno e de um abraço que nos faz parar para refletir sobre estes gestos que parecem tão simples, contudo, expressam a maior grandeza humana.
           Fica ao leitor, portanto, o convite: embarque nas asas da garça e nas páginas do livro e mais que o cheiro do asfalto dos nossos dias corridos sinta exalar o perfume das virtudes humanas tão necessárias nos dias de hoje.




*Luís Pereira da Silva que assina com o pseudônimo de Chumbo Pinheiro, é poeta e articulista. Autor  de "Alguns livros Potiguares", e coautor de "Nei Leandro de Castro - 50 Anos de Atividades Literárias".