terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Lançamento.



"Proposta de Chuva" de Maria Maria Gomes


A poesia está na alma, como o rouxinol está nos ramos.
Alfred de Musset

A atividade de criação poética ao nosso entender é um ato na grande maioria das vezes, íntimo e solitário, mas, que resulta em momentos não raro sublimes, do mais alto valor artístico. Diante de um papel em branco, os poetas adestram a sua força e domam as palavras. O que para muitos pode ser um instante infinito de busca pelas palavras, para outros estas parecem saltar literalmente dos dedos.
A poesia vem a ser uma espécie de libertação da alma, mas, para que o poema se realize de forma completa é necessário que haja o trabalho ordenado dessa liberação. São raros os que conseguem isso com  êxito. A poetisa Maria Maria Gomes está entre esses. O livro “Proposta de Chuva” (Oito Editora, 2014), lançado por ela, recentemente, é um livro rico em exemplos de como a construção poética  parece ser muitas vezes um chamado divinal e privilégio de poucos.
O processo da criação poética de Maria Maria Gomes sob alguns aspectos lembra Drummond.  Ao descrever as cenas e  personagens que estruturam sua vida e obra a partir de suas lembranças, muitas inclusive da infância, de onde busca as recordações mais íntimas, agradáveis e até mesmo mágicas,  a poetisa revive seu passado e o reutiliza como matéria de sua poesia.
Em “Proposta de Chuva”, dois aspectos recebem mais atenção: a preocupação  com o banal do cotidiano; e as reflexões acerca da própria poesia, tanto no que concerne ao seu processo de criação, como no que diz  respeito à inserção dela na realidade social, isto é, ao papel que ela desempenha como agente transformador da ordem.
Essa importante poetisa seridoense incorpora coisas simples do dia a dia do interior do Estado em sua poética, além dos conflitos do homem com o mundo. Coisas que nos passam despercebidas são captadas pelo olhar de Maria Maria Gomes.

Vejamos um exemplo:



 Bicicleta de domingo

Alguém pode dar uma volta
de bicicleta comigo?
 Vou no bagageiro, prometo,
ao entardecer desse domingo.


Com versos aparentemente singelos, a poetisa registra momentos comuns do cotidiano, mas que nos trazem profundos momentos de reflexão e riqueza emocional.
O livro de Maria Maria Gomes expressa uma poesia universal, mas, com ela retratos provincianos de um Seridó  são destacados, com riqueza de detalhes, fazendo jus à famosa frase de Tostoi, segundo a qual, “canta a tua aldeia e cantarás o mundo”.  A linguagem poética da obra – ressaltamos - pode parecer demasiado simples, mas é muito bem elaborada esteticamente.

 A poetisa sabe muito bem “drummondiar” o que há de bom, porém, com a sua própria marca e estilo.


Thiago Gonzaga é especialista em literatura e cultura potiguar pela UFRN.

Uma trabalho poético importante *


“Chuva Ácida” de Carmen Vasconcelos:
Quinze anos do lançamento.


A poesia imortaliza tudo o que há de melhor
e de mais belo no mundo.
Mary Shelley


Este ano comemora-se o décimo quinto aniversário de lançamento do primeiro livro da poetisa Carmen Vasconcelos, “Chuva Ácida”. A obra foi publicada pela Fundação José Augusto no ano 2000, teve prefacio de Dorian Gray Caldas, textos da orelha de Luís Carlos Guimarães e capa de Nei Leandro de Castro e Carlos Alexandre. O livro está dividido em quatro partes, “Raiz Da Palavra”, “Uma Tocata do Ventre”, “Do Diário de Simetha E dos Espelhos Partidos”, e “Das Cantigas De Abril”.
Carmen Vasconcelos, que hoje é uma das nossas principais poetisas, estreou oficialmente com essa obra, embora, antes, já tivesse publicado alguns poemas em jornais literários como “O Galo”. No livro o eu lírico afirma que “o oficio do poeta é engraxar emoções”, excelente metáfora poética. Realmente, em dias nebulosos, nada melhor do que uma boa literatura que expressa arte com delicadeza. “Chuva Ácida"  é um desses trabalhos poéticos, que ficam, permanecem,  e onde facilmente se encontra poesia na essência. “Raiz do Poema”, “ Corujas”, “Metamorfoses”, são bons exemplos de um trabalho que ainda conta com um capitulo “Do Diário de Simetha E dos Espelhos Partidos”, dedicado à  prosa poética, este por sinal, um dos melhores momentos do livro.
A poetisa faz da palavra a fonte principal do seu mistério, o signo verbal passa a ser a sua principal forma de comunicação com o leitor através de uma sensibilidade aguçada e requintes de erudição. Ao longo da obra, percebemos uma poetisa preocupada com o artesanato literário, a articulação dos versos.
Mergulhar em “Chuva Ácida” é mergulhar na linguagem de uma legitima poetisa.  A princípio pode-se aplicar aquela famosa frase de Voltaire, segundo a qual   “ é tão impossível traduzir a poesia como o é traduzir a música”. Porém, depois de concluída a leitura, deste livro, ficamos com a impressão de outra frase famosa: "A poesia genuína pode comunicar-se antes que se seja compreendido", de T. S. Eliot.


Thiago Gonzaga é especialista em literatura e cultura potiguar pela UFRN.


Dica de livro *



           Muito deleitosa a leitura da obra “Com a Boca no Trombone” (CJA Edições, 2014), do cantor Fernando Luiz. O livro contêm cerca de 60 crônicas e artigos escritos nos últimos dez anos em jornais e sites do Estado. A grande maioria dos textos, denuncia a falta de atenção dos órgãos públicos para com os artistas da terra, de um modo geral, e não apenas os da sua área de atuação.
A obra nos traz um registro interessante de várias épocas e das várias fases que a nossa cultura musical enfrentou, com seus  momentos mais baixos do que altos.  O livro também se torna interessante para o público de maneira geral, porque Fernando Luiz,  presenciou in loco fatos importantes da nossa música popular, como o surgimento de Carlos Alexandre, de Giliard, mas vai além disso, relata  encontros e conversar com Núbia Lafayete, Trio Irakitan e até a produção do único disco de Glorinha Oliveira feita por ele próprio.
O autor faz também um balanço, do início da sua carreira,  quando se apresentou no Cassino do Chacrinha, inclusive sendo o vencedor do  “ Calouro Exportação “ da Buzina do Chacrinha, até a sua fase áurea com o estouro de Garotinha, seu maior sucesso.
Em algumas crônicas, Fernando Luiz faz duras criticas aos artistas que não fazem nada por Natal e recebem o titulo de cidadão natalense. Em outras, reclama a falta de atenção a artistas locais, o descompromisso e desleixo com artistas como Glorinha Oliveira, e Trio Irakitan, dentre outros.
Mas, nem só de duras criticas se constitui o livro; outros assuntos e temas interessantes sobre a cultura e o mundo musical são abordados. Fernando Luiz reúne e expõe todo o seu conhecimento do universo musical para conversar sobre Caetano Veloso, Roberto Carlos, Waldick Soriano, Falcão e até Stevie Wonder. Além de relatar situações e propostas sobre leis de incentivo e apoio à cultura.
Fernando Luiz em sua vida , e nos textos, tem sido um verdadeiro militante, um dos maiores divulgadores e batalhadores da cultura musical do Estado.

Um livro interessante e para todos os públicos


Thiago Gonzaga é especialista em literatura e cultura potiguar pela UFRN

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Entrevista com Anna Maria Cascudo Barreto (1936 - 2015)

ANNA MARIA CASCUDO BARRETO
(Entrevista realizada por Thiago Gonzaga para o livro “Impressões Digitais” vol 2)

1-        Anna Maria Cascudo Barreto, conte-nos um pouco da sua infância e juventude. Como foram seus primeiros anos de vida ao lado do seu pai, o grande escritor Câmara Cascudo?

            Tive uma infância feliz. Meu pai, Luís da Câmara Cascudo, era dedicado e atento, carinhoso e presente. Todas as noites, até adormecer, ele ou minha avó materna, a macaibense Maria Leopoldina Viana Freire (ou Madrinha Sinhá, como eu a chamava) contavam estórias. Sempre tive problemas de insônia. Papai narrava aventuras retiradas dos heróis gregos ou da cultura popular.
Na minha cabeça, Ulisses e suas sereias mitológicas, Saci Pererê e as fadas se misturavam. Minha avó contava lendas doces, cantarolando: “Jardineiro do Meu Pai, Onde estão os meus cabelos...” Às vezes ia ao piano. Tocava Chopin.  Eu me sentia profundamente comovida. Mamãe dizia que eu adormecia de puro medo.. Na realidade, aprendi a ler por causa da contação. Como muitas vezes desconhecia o final das histórias, procurava-os nos livros de papai, que eram sem figuras e tinham centenas de letrinhas. Deixava dedos sujinhos nos volumes que meu pai guardava com paixão. Um dia ele não suportou mais (eu tinha cinco anos) sentou-se comigo à mesa, abriu a caderneta do ABC e disse a frase mágica: “Ivo viu a Uva.” Assim o universo das palavras se abriu, ante os meus olhos de criança.
No colo de papai ou no braço de mamãe, ouvia os desafios dos violeiros. Aprendi a dançar sendo “Borboleta” do Pastoril. Não estudei, vivi o folclore.
Tive uma educação bem original. Nas férias, viajávamos para o Recife. Meu mano mais velho, Fernando Luis, morava lá desde os quinze anos.  Éramos hóspedes do Grande Hotel, embora eu preferisse ficar com as primas, na casa de Tio Lagreca e tia Inês. Lembro-me das Operetas italianas que assistia com meus pais no Teatro Santa Isabel, acompanhando o desenrolar com libreto explicativo. Convivendo com pessoas de alto nível, aprendi a comer à francesa.
Se por um lado tinha educação internacional, por outro era bem regional. Assistia aos bambelôs, à umbanda, aos forrós de pé no chão. Descia o morro de Areia Preta (no veraneio) numa tábua untada de sebo, cercada das filhas dos pescadores. Aprendi a amar o povo e suas manifestações, a não fazer diferenças sociais. Mamãe não gostava de sair;  Fernando estava no Recife, e papai amava minha companhia, pois considerava nossos temperamentos muito semelhantes. Minha adolescência foi normal. Estudava muito, tinha amigas, dançava no Aero Clube, América, ABC, ia ao cinema, lia quadrinhos, namorava.

2 – Qual o livro que você leu, quando criança, que mais te marcou? Quais foram suas principais leituras na juventude?

Leitura é hábito, e muito cedo me acostumei a ler com prazer. Papai sugeria livros, e depois os comentávamos. Passei muitas noites lendo. Suspendia a leitura quando a luz do sol superava à elétrica. Fabulas de Esopo, toda a coleção de Monteiro Lobato; romances de José de Alencar. Poetas parnasianos, especialmente Olavo Bilac. O mérito foi também do Colégio da Imaculada Conceição, onde estudei do maternal ao vestibular. Recordo ter lido (alguns cuidadosa, outros rapidamente) todos os sugeridos pela Enciclopédia Greco-Romana. Esopo, Heráclito, Plinio, Ovídio, Tácito, Homero. Os “Diálogos”, de Platão. Diálogo com a Velhice, de Cícero. Os heróis e as aventuras da Ilíada e da Odisseia pareciam tão reais!. O primeiro livro “de adulto” que eu ganhei foi “Cidade Antiga”, de Fustel de Coulanges. Penso que tinha meus treze anos. Fascinavam-me as ideias de Freud, pelo menos aquelas que eu compreendia. Passei uma época lendo e estudando filosofia. Emmanuel Kant e a Critica da Razão Pura e da Razão Prática. Gostaria de acreditar em Rousseau e sua visão idealista. O livro que mais me impressionou foi “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin. O interessante é que admirá-lo e aceitá-lo nunca diminuiu a minha fé... Todas nós, mocinhas, adorávamos Cronin, Agatha Christie, Paul Valery, Edgar Wallace, Antoine de Saint Exupéry. Não apenas “O Pequeno Príncipe”, mas Correio do Sul. Lia escondida os romances de Pitigrili, considerado maldito. E os romances de Sommerset Maughan, Françoise Sagan; a Coleção Rosa de M.Delly. O Pimpinella Escarlate. Gabriela, de Jorge Amado. Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire. As três Marias, de Rachel de Queiroz.
Discursos, de Voltaire. Colóquios, de Confúcio. Máximas e Reflexões, de Goethe. Primo Basílio, de Eça de Queiroz. Correspondência, de Machado de Assis. Os Sermões, de Vieira. Os Lusíadas, de Camões. Divina Comédia, de Dante. Depois, um deslumbramento, a obra Cascudiana; História da Alimentação no Brasil, Canto de Muro, Jangada, Rede de Dormir. Locuções Tradicionais do Brasil, Lendas Brasileiras, Viajando o Sertão. Dicionário do Folclore Brasileiro, Locuções tradicionais. Civilização e Cultura. Maravilha! Meu pai, um sábio! E tão simples tão natural... Por um tempo, surpresa; depois assimilei o fato com naturalidade.

3-        Com que idade você compôs os seus primeiros escritos? E abordavam que temas?      

Comecei a escrever em A República. Foi meu primeiro emprego. Era a época de Romildo Gurgel. Ganhava meio salário mínimo. Depois de algum tempo, ele me deu espaço para uma crônica sobre música. O titulo era cafona: “Cantinho do Hi-Fi”. Apaixonei-me pela Bossa Nova. Já conhecia Luis Gonzaga e Zé Dantas, Jackson do Pandeiro, Dorival Caymmi (nunca esqueci, quietinha entre ele e papai, assistir ao desfile do Maracatu, na varanda do Grande Hotel no Recife! Eles conheciam – e eram saudados – por todos os personagens) Silvio Caldas, Nelson Gonçalves.  Meus ídolos mudaram: eram João Gilberto, Silvinha Telles, Roberto Menescal, Tom e Vinicius.  Mas... a primeira vez que escrevi, foi fazendo uma história em quadrinhos. Gostava também de desenhar. Tinha uns oito anos.

4-        Você, quando bem jovem, conheceu muitos escritores potiguares? Pode citar alguns?

Os amigos de papai eram nossos também. Onofre Lopes. Otto Guerra. Américo de Oliveira Costa. Verissimo de Melo. Silvio Piza Pedrosa. Jaime Wanderley. Nilo Pereira. Djalma Maranhão, Moacir de Góis. Djalma Marinho. Elói de Souza. Manoel Rodrigues de Melo. Henrique Castriciano. Dinarte Mariz. Aluísio Alves. Visitávamos suas famílias. Palmira Wanderley, Zila Mamede. Todos queridos! Estou citando apenas os mais antigos. Newton Navarro, Dorian Caldas.

5 -Você muito nova já assinava uma coluna sobre música popular brasileira no jornal “A República”, nos fale um pouco dessa sua primeira experiência com as letras, você já sonhava em se tornar escritora?     
  
Já falei sobre “A República”. Não sonhava ser escritora; era algo que pertencia ao meu pai. Pensava mais na área Jurídica. E especialmente jornalismo. Tinha além da coluna, um programa na Rádio Nordeste, transmitido da minha “sala de música”. Apresentava discos, e – atrevidamente – os criticava. Na época de Genario Fonseca, um programa na TV-Universitária, redigido e apresentado por mim. Intitulava-se “Semanários”. Criei vários quadros. A Outra Face, Batendo Perna, Valores da Terra. Entrevistei artistas de teatro, pintores, fiz desfiles com boutiques potiguares. Nos domingos, com uma hora de duração. Por causa de uma coluna, ganhei uma serenata com Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara. Entrevistei o Trio Yraquitan, Marayá, Dozinho, Ângela Maria, Chico Helion. Sempre curti muito moda e arte.

6- Relate-nos um pouco da época da Faculdade de Direito. Quem eram os intelectuais dessa época, você frequentava algum grupo literário?

             A Faculdade de Direito, na minha época, era a continuação da minha casa. Bem próxima, funcionava na Ribeira. Minha turma tinha gente da minha idade, mas muitos bem mais velhos. Berilo Wanderley, Arilda Tania, Hebe, Zelia Madruga, Artur, Eider Furtado, Zeca, Hélio Vasconcelos eram os mais próximos. Mas eu gostava de todos!  E ainda tinha a satisfação de conviver com os acadêmicos da segunda turma, Eliane Amorim das Virgens, Paulinho, Querubino, Edgar Smith, Suetonia, Denise, Diúda, Natanias. Os professores eram eruditos, sensacionais. No primeiro ano, vibrei com as aulas/shows de Floriano Cavalcanti.  Durante os cinco anos, assistimos espetáculos de erudição! Paulo Viveiros. Véscio Barreto., João Vicente da Costa, Edgar Barbosa. Raimundo Nonato. Aldo Raposo. Otto Guerra. Alvamar Furtado.  Ensinavam Direito e conhecimentos gerais.  E conversar com eles era especial. Pairava sobre a Faculdade de Direito de Natal uma atmosfera de ternura e respeito.
Eu não frequentava grupo literário por que, logo no segundo ano, comecei a aprender a técnica. Fui Adjunto de Promotor, substituindo vários. Trabalhava pela manhã e à tarde no Fórum, em audiências e despachando processos. À noite ia para a Faculdade. Na madrugada ficava na biblioteca de papai estudando. Ivan Maciel, Enélio Petrovich, Cleóbulo Cortez Gomes, Hélio Vasconcelos, Marcio Marinho organizavam  debates e conferências. Que eu nunca ia, pois precisava estudar. Assisti uma vez Carlos Lacerda. Fiquei empolgada. Gênio! Sanderson Negreiros e Berilo Wanderley também escreviam em jornais. E que textos! Diogenes da Cunha Lima foi o mais assíduo – e o mais querido – dos discípulos do meu pai. Estava sempre conosco.  Hoje em dia, advogado, professor e Presidente da Academia Norte Rio Grandense de Letras, é um amigo sincero e querido. Ele e o jornalista e acadêmico Vicente Serejo mantém o nome de Luís da Câmara Cascudo  sempre à tona, buscando noticias, valorizando sua memória.

7- Anna Maria Cascudo foi uma boa aluna universitária?

Nunca busquei tanto a perfeição na pesquisa e estudei tanto quando fui aluna de papai. Queria surpreendê-lo. Suas aulas eram memoráveis. Filosofia do Direito, na área internacional, muito bom humor e brilhantismo. Inesquecível!. Outro Professor cuja inteligência me cativou foi Véscio Barreto. - Sem esquecer seu senso de justiça.

8- Você foi à primeira mulher a atuar como promotora em júri na cidade de Natal , nos conte um pouco dessa fase.

 Amava o Direito. Participar da técnica jurídica era algo que me emocionava. O Fórum era um celeiro de mestres: Oscar Homem de Siqueira, Rosemiro Robinson, Paulo Luz eram exemplos. Os advogados, cultos, educados. Claudionor de Andrade abria os processos e me explicava os pareceres.  Fui acolhida com muito afeto e todos faziam questão de me ensinar. Assim foi a prática jurídica. Os Cartórios? Aprendizagem. Antidio de Azevedo e Alinio; Jairo Procópio, Armando Fagundes, seu pai e tia, Raimundo, foram autênticos professores. José Gobat Alves, Epitácio Andrade, Lisboa, colegas e companheiros. Nunca senti preconceito por ser muito jovem e mulher. Talvez pelo meu entusiasmo legitimo e a dedicação total. Meu primeiro Júri foi um acontecimento. Meus pais choravam de emoção. Fernando veio do Recife. O Diário de Pernambuco e o Jornal do Comercio deram noticia do pioneirismo feminino. Fui entrevistada em revistas. Estudei, pesquisei e fui vitoriosa. O réu foi condenado a vinte e um anos de reclusão. Na Defesa, dois Professores da Faculdade. Amava – e ainda amo – e me sinto orgulhosa e feliz pertencendo ao Ministério Público. Fui Promotora de Justiça concursada, Curadora de Acidentes do Trabalho e Procuradora de Justiça. Uma das fundadoras no Estado da Associação do Ministério Público. O Presidente, Valderedo Nunes da Silva era um irmão. Éramos profundamente idealistas.

9 -Você é uma das fundadoras da Academia Feminina de Letras e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, em sua opinião qual a importância dessas instituições para as nossa cultura e literatura?

Tinha receio de ser comparada a meu pai, com sua obra majestosa. Mas recebi muito incentivo a ocupar meu espaço, generosamente elogiando meu texto e repetindo que eu tinha talento e uma “luz” especial. Diva Cunha, Valério Andrade, Marluzia Saldanha, Professor Waldson, Vingt-Un Rosado, Dorian Jorge Freire foram “cúmplices” de um  desejo que foi surgindo e crescendo. Quando nos reunimos, um grupo de mulheres que amavam a cultura e desejavam uma Academia, todas tinham conhecimento da necessidade da publicação de um livro. O ritual acadêmico. Era o ano de 2000. Então reuni várias entrevistas que publiquei na coluna “Mulher” de A República e no Jornal “Estilo” de Toinho Silveira. Fiz uma lista das figuras femininas de destaque e procurei ouvi-las. O livro foi publicado pela Global Editora. Cem entrevistas. Assim nasceram as “Mulheres especiais”.  Sugestão: ser lançado na Academia Norte-rio-grandense de Letras. Em 2003. Vendagem e critica me surpreenderam.  O “Colecionador de Crepúsculos”, foto-biografia de Luís da Câmara Cascudo, foi uma explosão de amor filial. Garibaldi Alves levou o livro para José Sarney. Ele leu a história dos índios do Carnaval e dos americanos no Grande Hotel que papai me contara. Ambos se apaixonaram pelo estilo. Garibaldi fez a orelha e Sarney o “Ensaio de Abertura”. O Prefácio foi de Murilo Melo Filho. Mais um sucesso. Já casada com Camilo Barreto, ele me incentivou a pedir os votos aos acadêmicos para minha entrada na Academia. Visitei todos, solicitei os votos e levei meus livros. Aluísio Alves escreveu; “Voto em Anna para onde quiser ir. Tem méritos e muita inteligência.” Fui eleita por unanimidade. Saudada por João Batista. Como ele estava doente, o discurso foi lido pelo Acadêmico   Paulo de Tarso Correia de Melo. Meu discurso de posse tinha o título de “A Matéria dos Sonhos”. Era o ano de 2005.   Algum tempo após, lendo meus livros, Paulo Bonfim sugeriu meu nome e solicitou votos para meu ingresso na Academia Paulista de Letras. Sócia correspondente no Rio Grande do Norte. O primeiro foi Luis da Câmara Cascudo; o segundo o poeta Augusto Severo de Albuquerque Maranhão Neto. Tomei posse em São Paulo em 7 de junho de 2006. Saudada pelo decano príncipe dos Poetas Brasileiros Paulo Bomfim. Meu discurso de posse se intitulava “Sortilégio e Emoções”. O Presidente era Ives Gandra da Silva Martins. Presenças de Fábio Lucas, Ada Peregrine, Ana Maria Martins, Ester de Figueiredo Ferraz, Ligia Fagundes Telles, José Mindlin, Nilo Scalzo. Mereci um soneto de Ives. Camilo, o primo João Batista Cascudo Rodrigues, filhos, genros e amigos estavam presentes. Foi servido um coquetel, oferta da Academia e “bancado” por Ives Gandra.  Uma alegria imensa.  No mesmo ano, recebi oficio da Academia Brasileira de Arte, História e Cultura, cuja sede é na “Casa da Fazenda”, no Morumbi, em São Paulo. Foi fundada por Luís da Câmara Cascudo e Dante de Laytano, escritor gaúcho. Organizada e valorizada no Brasil inteiro. Eles solicitavam meus livros e uma visita. Resultado; no mesmo ano (2006) tomava posse como Sócia da Academia, Comendadora e partícipe do Conselho Cultural da mesma. Dirigida por Roberto Oropolo e Michel Chelela. Presença de vários empresários, artistas, escritores paulistas.  Finalmente fui uma das fundadoras da Academia de Letras Jurídicas, que promove o resgate e incentiva  o conhecimento dos antigos mestres e cultores do Direito, além de organizar conferências e debates acerca dos estudiosos atuais.  Somos dedicados e reconhecidamente uma entidade que presta condão à memória e ao estudo do Direito contemporâneo.  Considero que pertencer às Academias Literárias representa o ponto máximo do caminho, uma reunião de autênticos amantes da cultura.
Aproveito para registrar que fui casada por dois anos e meio com o major do exército e engenheiro civil paulista de São Carlos do Pinhal, SP. Newton Roberti Leite. Conheci-o no Fórum. Ele era testemunha de um Acidente do Trabalho. Um homem de bem, um ser iluminado. Pai de Daliana e de Newton, nascido cinco meses após sua morte, em primeiro de agosto de 1964. Meu segundo marido, Camilo de Freitas Barreto, engenheiro civil e rodoviário, esteve ao meu lado, criou meus filhos e foi pai de Camilla por quarenta e quatro felizes anos. Faleceu em dez de outubro de 2012. Sinto que muito amei e fui amada. Se não fosse a atividade intelectual, creio que não resistiria à saudade constante.  Tenho três netos que são meu tesouro, Diogo, Alana, Cecilia. Hoje os familiares de Camilo também me pertencem pela força do amor. Trago o sobrenome Barreto com o mesmo enlevo dos ramos Freire e Cascudo.

10- Dentre muitos dos seus trabalhos podemos destacar “Mulheres Especiais” (Global, SP) “O Colecionador de Crepúsculos” (Gráfica do Senado Federal, DF) “Neblina na Vidraça” (Global, SP), Fale-nos um pouco dessas obras?

            Já comentei sobre “Mulheres Especiais” e “O Colecionador de Crepúsculos”. O primeiro é de 2003, Global Editora. O segundo, uma foto-biografia, é um livro de declaração de amor filial.  “Neblina na Vidraça” é um resgate da vida e obra da poetisa Palmira Wanderley. Selo da Global é muito procurado pelos pesquisadores de uma figura feminina potiguar que ainda vive no nosso coração. Minha admiração pela Banda de Música dos Fuzileiros Navais Brasileiros obrigou-me a um trabalho etnográfico, comentando a relação existente entre os militares e os norte-rio-grandenses. A influência recíproca é de causar espanto. Um resumo histórico da Base Naval e da cidade do Natal é o fecho deste livro, lançado no Cobana e distribuído pelos componentes da Banda e os presentes na outorga de comendas de mérito.  “Um Herói Oculto” traz testemunhos e documentos sobre meu avô paterno, Coronel Francisco Justino de Oliveira Cascudo. A critica o considerou tecnicamente perfeito, no gênero. Tentei ser imparcial, mas nos capítulos finais a emoção tomou conta de mim. Muitas descobertas sobre esse personagem emblemático que foi pioneiro em tantos setores no Estado.  “Teotônio Freire, fragmentos de um Legado” era uma divida que eu tinha com meu avô materno, o homem cujo exemplo me fez seguir a carreira jurídica. Era tão discreto que apesar dos cargos importantes (foi Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça por treze anos, suas sentenças até hoje ressaltadas) dele eu só possuía minha saudade e duas fotos. Francisco Anderson Tavares foi meu parceiro, levantando a  genealogia alusiva a Teotônio e grupo familiar de um modo brilhante. Eduardo Gosson, Presidente do Memorial do Tribunal de Justiça fez uma exposição  sobre a sua importância na Comunidade Jurídica e Judite Monte Nunes, a Presidente da época, abriu as salas do Tribunal para receber seu ilustre antecessor. O Livro não foi vendido, mas distribuído e depois lançado em Macaíba. Em 2012, mês de março.
Atualmente finalizo “Mulheres Especiais II”, em parceria com a Federação das Indústrias. Cem mulheres fizeram depoimentos sobre sua trajetória existencial, selecionando fotos consideradas importantes de seus momentos marcantes. Essa técnica é germânica. Recebendo as laudas daquelas selecionadas, limito-me a dar colorido textual e minha opinião pessoal e sincera sobre cada uma das personagens. À parte, lembrei vultos femininos que não estão mais na nossa dimensão, sugerindo aos seus filhos que escrevessem suas lembranças. Desejo eterniza-las pelo muito que fizeram para nosso desenvolvimento. Esse trabalho de mais de dois anos deverá ser lançado no Ludovicus, numa produção da Federação das Indústrias.

11- Anna Maria Cascudo também participou de várias antologias?

Além das conferências que dou para militares, estudiosos e acadêmicos, preferencialmente sobre folclore, também me especializei na feitura de “Ensaios de Abertura”. É uma peça normalmente feita por Acadêmicos, definindo o estilo de um livro, comentando a autoria e finalizando com um toque lírico. Um trabalho artesanal de observação e experiências. Fiz Ensaios de Abertura para “Jorge Fernandes”, trabalho gigantesco de Maria Lucia Garcia; “Os Cavaleiros dos Céus”, a saga do voo de Ferrarin e Del Prette, por Rostand Medeiros e Frederico Nicolau, produção da Fundação Rampa; “Na Palma da Mão”, a vida diferenciada de Mary Elali contada por ela mesma; Cartas de Câmara Cascudo a Mario de Andrade, pela Global, que recebeu o prêmio Nacional Jabuti e muitos outros. Participei de mais de quinze Antologias. Das Academias Brasileiras de Arte, Cultura e História (Perfil de uma amiga – lembrando Sinhá Freire – e Mulheres número 4) além da Associação das Jornalistas e Escritoras, da Academia Feminina de Letras, da Paulista, de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Normalmente participo com prazer, pois tenho uma noção forte de equipe.

12- E premiações que recebeu quais os mais significativas para você?

            Premiações são significativas. A maioria das honrarias é proveniente de São Paulo, onde o nome de Câmara Cascudo é muito forte; pertenço a duas Academias de Letras paulistas, e possuo um circulo enorme de amigos. Posso citar, pela originalidade, o Troféu de Honra da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, Conferencista da Faculdade de Ciência Umbandista, Presidente da Honra do 44º Festival de Folclore de Olímpia. Este ano foi uma alegria incomensurável o recebimento da medalha de Folclorista Emérito, votado pela Comissão Nacional de Folclore, sob a Presidência do amigo/irmão Severino Vicente, escritor e folclorista.

13- Você foi distinguida como uma das “Cinquenta Mulheres Notáveis do Brasil”, pela Associação de Imprensa de Minas Gerais. Fale-nos um pouco dessa premiação e da emoção ao recebê-la?

Recebi este titulo por indicação de Ana Maria Martins e Ligia Fagundes Telles, da Academia Paulista de Letras. Foi noticia nacional, transmitida através do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. Um reconhecimento do meu trabalho que me gratificou.

14-Você tem ideia de quantos prefácios de livros já escreveu?

Prefácios são resultantes de forte identificação com o autor ou assunto do livro. Nunca contei, devo ter escrito mais de cinquenta. Todos com merecimento, nenhum gratuitamente.

15-Você também faz parte da União Brasileira de Escritores/RN   ?

Amo a União Brasileira dos Escritores. Meu pai os admirava profundamente. Meu maior contato foi Fábio Lucas. No Rio Grande do Norte tive muita satisfação em fazer parte das suas Diretorias, por quatro anos. Os Presidentes iniciais –administrações excelentes – no nosso Estado foram os escritores Lívio Oliveira e Eduardo Gosson.

16-Anna Maria Cascudo é Presidente do Instituto Câmara Cascudo – Ludovicus – nos fale um pouco do seu trabalho a frente dessa importante instituição.

O Instituto Câmara Cascudo é o nosso tesouro. Tratamos de preservar, divulgar e gerenciar o patrimônio cultural de Luis da Câmara Cascudo, com recursos próprios e dedicação total.

17- E sua filha, Daliana Cascudo, segue os passos da mãe escritora?

Meus filhos – Daliana, Newton e Camilla – têm muito mais do que as minhas poucas qualidades, e nenhum dos meus inúmeros defeitos. São apaixonados pela memória do avô, têm um potencial extraordinário de trabalho,  ternos e delicados. Como boa “coruja”, acho que são infinitamente inteligentes e bonitos. Os netos, Diogo, Alana e Cecília já demonstram conhecer seus objetivos e iniciam uma caminhada feliz. São os meus desejos.

18- Em sua opinião quem seria os dez maiores intelectuais potiguares do passado?     
 
 Não gosto de listagens e indicações. Os intelectuais potiguares do passado e do presente  vivem na minha apreciação e respeito.

19- O que você acha do incentivo à leitura/literatura no RN? Por quê?

Não aprecio. Considero tendencioso e politiqueiro.

20- Se você pudesse citar dez livros potiguares preferidos quais seriam?

Toda a obra de Luís da Câmara Cascudo. Quanto mais leio e estudo, mais me convence o seu gigantismo, erudição, simplicidade.

21- Do que sente falta no mundo da literatura?

Maior entrosamento entre sul e nordeste. Tudo é Brasil.

22- Na atualidade, tem muita gente boa produzindo literatura em Natal?

Os companheiros das Academias são exemplos vivos de valores indiscutíveis da literatura potiguar. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte tem professores/doutores cujos trabalhos culturais são de altíssimo nível.

23- Você aprecia outro tipo de arte além da literatura?   
        
            Gosto muito de ir ao cinema. A música, a iluminação, a pipoca, os filmes me encantam!...Também de música e pintura, teatro.

24- E quais os seus planos literários para o futuro?

 Como já estou com mais de setenta, tendendo aos oitenta anos, rogo a Deus que conserve minha saúde, memória e fé. Tenho muitos sonhos a concretizar.

25- Quem é a escritora Anna Maria Cascudo Barreto?

Alguém que soube conquistar seu espaço sem amarguras. Que busca estar à altura dos seus sobrenomes. Que crê em Deus, é católica romana. Mas também admira a Umbanda, o Kardecismo, as máximas de Sidarta. Enfim, uma espiritualista.















Lançamento.


RELEMBRANDO MOACY CIRNE. *
           
Uma importante contribuição teórico-literária foi publicada recentemente pelo escritor Alex de Souza, a obra “Moacy Cirne: Paixão e Sedução Pelos Quadrinhos” (Sebo Vermelho Edições 2014), adequada afirmação do sentimento e da atenção que o escritor potiguar declarava pelos quadrinhos.
Moacy Cirne foi um dos teóricos pioneiros a defender os quadrinhos como elemento de arte e cultura.  Alex de Souza comenta com muita segurança  a produção  de Moacy sobre o tema, desde sua estreia com “A Explosão Criativa dos Quadrinhos”, prestigiando-os  quando estes ainda eram subestimados pela comunidade intelectual.  
O livro contribui sobremaneira  para a divulgação dessa vertente, principalmente porque através da sua leitura a teoria de Moacy e a importância dos quadrinhos podem ser melhor  discutidas na atualidade com  as ferramentas tecnológicas de hoje, como o acesso a internet, e a nova geração pode ter acesso  à novas fontes e uma melhor apreciação e conhecimento dos  gibis como objeto artístico.
A obra de Alex faz um balanço e traz toda a paixão que o literato  caicoense tinha pelo estudo da produção dos quadrinhos, analisando-os desde o seu surgimento até as transformações contemporâneas. Moacy Cirne revelou pioneiramente, inclusive através de livros publicados, a importância dos gibis, como uma fonte de informação rica em conteúdo, que abrange diversas áreas, justamente por apresentar simultaneamente imagens e textos.
Estudando os quadrinhos, Moacy Cirne fez questão de salientar também a metalinguagem, os quadrinhos dentro da tradição literária e suas funções mais comuns. O escritor recebeu o Prêmio La Palma Real, de Cuba, com o livro “História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros”.
A obra de Alex de Souza resgata criteriosamente o trabalho de Moacy. No capitulo final, uma espécie de bônus, uma entrevista concedida em 2005 ao jornalista autor do livro. “Moacy Cirne: Paixão e Sedução Pelos Quadrinhos” é uma obra valiosa para todas as estantes.

* Thiago Gonzaga é pesquisador da literatura potiguar.

Dica de livro.


OS AFORISMOS POÉTICOS DE ZÉLIA MARIA FREIRE

    Muitas vezes, nós, leitores, deixamos passar despercebidos bons trabalhos literários, pelo fato de que a obra não teve a repercussão merecida, ou, o autor não é muito conhecido no meio literário.  Foco no assunto depois de ler o livro “Eu Tinha um Pedaço de Mar” (8 Editora, 2014) de Zélia Maria Freire.  A obra da escritora é uma das minhas boas leituras nesse inicio de ano.
     “Eu Tinha Um Pedaço de Mar” é um livro de poemas e aforismos, ou melhor, exercícios poéticos. Além de a poetisa fazer um diálogo também com outras vertentes e outras escolas literárias quase que em forma de prosa, deixando o livro bastante interessante. Eu, particularmente, como leitor de poesia potiguar, posso dizer que esse trabalho é muito instigante e que vale a pena a experiência de se tirar uma hora da nossa vida corrida para lê-lo. O livro de Zélia Maria Freire tem momentos de alto nível estético literário, e, no núcleo poema, alguns em forma de prosa e aforismos, é encontrada uma boa poesia.
   O leitor achará, na maioria das vezes, textos curtos, que, em grande parte, trazem consigo, como fundamento, espécies de adágios poético-filosóficos, que podem constituir também reflexões de teor prático para a nossa vida.  Além disto, são textos questionadores e universais, ou seja, podem atingir, ou tocar, leitores de todo o mundo.
     Um livro que vale a pena ler.  Fica a sugestão.

*Thiago Gonzaga é pesquisador de literatura potiguar, autor dos livros, Impressões Digitais - Escritores Potiguares Contemporâneos Vol 1 & 2.