quarta-feira, 22 de julho de 2015

Livro do mês.

A POESIA REFLEXIVA E EXISTENCIAL DE PAULO LIMA*

 Quanto mais verdadeiro, mais poético.
Novalis

O famoso escritor argentino Jorge Luís Borges disse certa vez que, dos diversos instrumentos que o homem usa, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Para o renomado escritor argentino, o livro é uma espécie de extensão da memória e da imaginação. Retomo a famosa frase de Borges depois de ler o livro “O Ser e a Existência”  do poeta Paulo Lima.
 Objeto artístico de muita qualidade visual, a obra contém poemas ateados de modo significativo, ambientados em cenários poético-fotográficos de lugares fantásticos, por onde o autor viajou e registrou através de suas lentes, numa poesia impregnada de lembranças de um mundo visto e vivido, uma poesia quase imagética.
O ardor do escritor pelos versos e pela fotografia o influencia profundamente em um livro riquíssimo de beleza visual, com versos repletos de sonhos e vida, e que em alguns momentos revelam teor bucólico. Há na obra referências estéticas dos grandes mestres da fotografia aliadas a uma poesia figurativa, trazendo uma espécie de espiritualidade para os versos, concedendo-lhes uma emblemática harmonia de elementos fantásticos, surreais, únicos, manipulados pelo poeta como se fosse um alquimista das imagens e das palavras.
O estudioso Bachelard disse em uma das suas obras que a poesia sob sua forma simples, natural, primitiva, longe de qualquer ambição estética, de qualquer metafísica, seria uma espécie de alegria do sopro, uma evidente felicidade de respirar. Eis que o leitor encontra este sopro poético nos versos de Paulo Lima.
A poesia de Paulo Lima é quase que imagética, organizada numa junção de construções vocabulares, fazendo surgir uma verdadeira escultura de palavras que transcendem a literalidade para envolver o leitor nos detalhes plásticos e cromáticos unidos às imagens também poéticas do trabalho. Uma poesia, quase sempre, de caráter metafisico, que se aproxima bastante da filosofia, da reflexão, da  sublimação humana  , e transporta o leitor em uma instigante viagem existencial,  na qual se encontram muitas respostas, porém, também, muitas perguntas.
 A escritora portuguesa Rita Ferro disse certa vez. “A filosofia é fascinante, mas a poesia, com menos papel, faz as mesmas perguntas”. O livro de Paulo Lima é um desses enigmas.




*Thiago Gonzaga é pesquisador da literatura potiguar.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Artigo.

OS 10 ROMANCES MAIS IMPORTANTES DA LITERATURA POTIGUAR NO SÉCULO XX

Por Thiago Gonzaga*

 Em ordem alfabética:


1-            Os Brutos, de José Bezerra Gomes.
2-            Gestos Mecânicos, de Ruben G Nunes.
3-            Gizinha, de Polycarpo Feitosa.
4-            Um Gosto Amargo de Fim, de Nilson Patriota.
5-            Macau, de Aurélio Pinheiro.
6-            O Mensageiro del Rey, de Iaperi Araújo.
7-            A Pátria Não é Ninguém, de François Silvestre.
8-            As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro.
9-            Quarta Feira de um País de Cinzas, de Alex Nascimento.
10-         O Rio da Noite Verde, Eulicio Faria de Lacerda.·.


Fiz esta lista como um instrumento para indicação, uma espécie de roteiro, com os romances mais significativos da literatura potiguar no século passado. Ao recomendar tão-somente 10 títulos, tentei seguir alguns critérios, como, por exemplo, não repetir livros do mesmo autor, (Polycarpo Feitosa, por exemplo, tem no mínimo três grandes romances); também quis privilegiar obras que trouxeram alguma inovação estética-formal, e que têm valor histórico, representando determinado período literário.  Também é preciso esclarecer que determinados livros, importantíssimos para a literatura local, como, por exemplo, “Temporada de Ingênios”, de João Batista de Morais Neto, “Crônica da Banalidade”, de Carlos de Souza” , “Cabra das Rocas”, de Homero Homem,  “Geração dos Maus”, de  José Humberto Dutra, e “ De Como se Perdeu o Gajeiro Curió”, de Newton Navarro, caracterizam-se como novelas, e não como romances no sentido estrito. E esta lista, mais uma vez reforço, compõe-se de romances publicados no século XX, eis o motivo de não incluir autores como Clotilde Tavares, Pablo Capistrano e outros que estrearam nessa seara  já no século XXI.

Neste inicio de século, onde há uma espécie de boom na  ficção potiguar, temos importantes romances que se destacam como “ O Dia dos Cachorros”, de Aldo Lopes, “A Botija”, de Clotilde Tavares, “Infância do Coração”, de Francisco Sobreira, “Parnamirim Field”, de Lenilson Antunes, “Memórias de Bárbara Cabarrus”, de Nivaldete Ferreira , “Cidade dos Reis”, de Carlos de Souza, porém isso  já seria uma nova lista, uma outra seleção.





*Pesquisador da literatura potiguar.